{"id":1758,"date":"2026-05-22T16:12:12","date_gmt":"2026-05-22T19:12:12","guid":{"rendered":"https:\/\/ecominas.com\/?p=1758"},"modified":"2026-05-22T16:12:12","modified_gmt":"2026-05-22T19:12:12","slug":"o-fenomeno-nimby-quando-a-proximidade-transforma-a-relacao-com-o-espaco-urbano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ecominas.com\/en\/o-fenomeno-nimby-quando-a-proximidade-transforma-a-relacao-com-o-espaco-urbano\/","title":{"rendered":"The NIMBY Phenomenon: When Proximity Transforms the Relationship with Urban Space"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O portal <em>Sustainability Directory<\/em>, em uma de suas publica\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, sugere que o manejo adequado da chamada s\u00edndrome <em>Not In My Backyard <\/em>(NIMBY) \u00e9 crucial para o sucesso de iniciativas sustent\u00e1veis, visto que a sustentabilidade deve se balizar pelo equil\u00edbrio entre preserva\u00e7\u00e3o ambiental, equidade social e viabilidade econ\u00f4mica \u2013 como ressalta o Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel N\u00ba11 da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU): Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustent\u00e1veis (MMA, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A s\u00edndrome NIMBY \u00e9 um fen\u00f4meno complexo e h\u00e1 muito explorado, embora a dissemina\u00e7\u00e3o do termo no Brasil sofra com a barreira lingu\u00edstica inerente. O assunto \u00e9, sobretudo, sobre a t\u00edpica e acalorada resist\u00eancia percebida por estudiosos, por parte de moradores de determinadas vizinhan\u00e7as, quando da instala\u00e7\u00e3o de empreendimentos de habita\u00e7\u00e3o social, ou servi\u00e7os para popula\u00e7\u00f5es em vulnerabilidade, em seus arredores (Borges; Silva; Santos, 2025). O <em>Sustainability Directory<\/em> acrescenta, como poss\u00edveis causas dessas oposi\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, a chegada de empreendimentos ecol\u00f3gica e tecnologicamente avan\u00e7ados, como os voltados \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel, e todos aqueles que \u201ccontribuem para objetivos sociais e ambientais maiores\u201d, mas s\u00e3o recusados por grupos que se unem pela vincula\u00e7\u00e3o territorial nas geografias atraentes a tais projetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De forma geral, Borges, Silva e Santos (2025, p.6) pontuam que a tem\u00e1tica destaca conflitos e \u201cpolariza\u00e7\u00f5es entre moradores e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, ou entre grupos estabelecidos e popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis que seriam beneficiadas pelos empreendimentos\u201d, e emergem mediante t\u00e1ticas diversas. Autores citam riscos \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica e satura\u00e7\u00e3o da infraestrutura e equipamentos coletivos como ret\u00f3ricas t\u00edpicas adotadas; formas de organiza\u00e7\u00e3o social vari\u00e1veis entre ativistas, peti\u00e7\u00f5es e protestos, articula\u00e7\u00e3o com partidos pol\u00edticos, tentativas de atrair ve\u00edculos de m\u00eddia \u2013 a depender da \u201cmaturidade\u201d dos grupos ou redes comunit\u00e1rias etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A percep\u00e7\u00e3o comum dos especialistas \u00e9 da gera\u00e7\u00e3o residual de um forte clima de desconfian\u00e7a institucional, eros\u00e3o da legitimidade estatal e afastamento da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica por parte dos residentes das vizinhan\u00e7as com a s\u00edndrome NIMBY. As manifesta\u00e7\u00f5es variam em intensidade, de acordo com a condu\u00e7\u00e3o mais ou menos excludente e verticalizada, isto \u00e9, conforme o grau da participa\u00e7\u00e3o popular incorporada aos processos de implementa\u00e7\u00e3o dos projetos, sobretudo no que se refere a pol\u00edticas habitacionais (Borges;Silva;Santos, 2025). Segundo Davidson <em>et al.<\/em> (2013, p.11), os casos s\u00e3o, quase sempre, protagonizados por grupos comunit\u00e1rios que \u201c[&#8230;] n\u00e3o querem esse empreendimento espec\u00edfico perto de suas casas, mesmo que reconhe\u00e7am (&#8230;) uma finalidade importante ou que eles possam se beneficiar dele\u201d, sendo not\u00e1vel a cis\u00e3o entre \u201cgrupos com vis\u00f5es conflitantes de cidade, justi\u00e7a e pertencimento\u201d (Borges; Silva; Santos, 2025, p.2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se, por um lado, \u00e9 leg\u00edtima a concilia\u00e7\u00e3o em favor do desenvolvimento sustent\u00e1vel, por outro, esta n\u00e3o \u00e9, absolutamente, uma discuss\u00e3o f\u00e1cil. Enquanto a s\u00edndrome NIMBY \u00e9 um fen\u00f4meno h\u00e1 muito pesquisado, \u00e9 igualmente s\u00f3lida a den\u00fancia sobre a superioridade da pauta ambientalista em tomadas de decis\u00e3o pol\u00edtica: quais devem ser os limites da ret\u00f3rica de um \u201cbem maior\u201d, de uma exist\u00eancia inerentemente positiva e desej\u00e1vel em projetos motivados por avan\u00e7os ecol\u00f3gicos? Algumas fronteiras merecem aten\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo diante de ganhos inegavelmente necess\u00e1rios diante do esmagador passivo urbano e habitacional brasileiro- mesmo considerando nosso t\u00edmido progresso em pol\u00edticas habitacionais e conquistas dos movimentos de luta pela moradia -, com seus bols\u00f5es de pobreza e posi\u00e7\u00e3o global no \u201cagro-m\u00ednero-hidro-bio-carbono-neg\u00f3cio\u201d (Malheiro; Porto-Gon\u00e7alves; Michelotti, 2021, p.47).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por exemplo, h\u00e1 evid\u00eancias consistentes da tend\u00eancia de instala\u00e7\u00e3o de empreendimentos de impacto ambiental em regi\u00f5es desprivilegiadas, especialmente no que se refere a disputas imobili\u00e1rias e fundi\u00e1rias das cidades e ruralidades. Da mesma forma, observa-se propens\u00e3o geogr\u00e1fica para ocorr\u00eancia de desastres e crimes ambientais, pauta frequente nos chamados estudos sobre a injusti\u00e7a clim\u00e1tica e socioambiental (Acselrad, 2002; Acselrad, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, n\u00e3o seria justo ignorar que, dentre os diversos problemas urbano-ambientais que afligem as cidades brasileiras, a desigualdade geogr\u00e1fica e hist\u00f3rica na oferta e acesso a infraestruturas e equipamentos urbanos capazes de atender demandas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, transporte, lazer e usufruto ao meio ambiente seguro e qualificado, \u00e9 um ponto merit\u00f3rio. Nesse contexto, &nbsp;Davidson <em>et al.<\/em> (2013, p.11) destacam que o acr\u00f4nimo NIMBY pode ter, inclusive, forte conota\u00e7\u00e3o pejorativa, quando instrumento para menosprezar preocupa\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas de coletividades, deslegitimando-as como um cego protecionismo geogr\u00e1fico e\/ou uma esp\u00e9cie de instinto territorialista. O saneamento, a repara\u00e7\u00e3o, de temores e vulnerabilidades historicamente negligenciadas pelo modelo vigente de gest\u00e3o e planejamento urbano-ambiental \u00e9, tamb\u00e9m, uma meta social e ambiental, tanto para a iniciativa p\u00fablica, quanto para a privada, nos respectivos locais que lhes cabem nesse t\u00e3o disputado uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo urbano. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Longe de ditar respostas para quest\u00f5es avessas a f\u00f3rmulas ou receitas prontas, essa tem\u00e1tica merece amplitude por sua capacidade de instigar contradi\u00e7\u00f5es, e inspirar negocia\u00e7\u00f5es coletivas e participativas. A \u00fanica certeza que h\u00e1, na trajet\u00f3ria de constru\u00e7\u00e3o da sustentabilidade, \u00e9 de um caminho tortuoso e necessariamente conciliat\u00f3rio de interesses e vis\u00f5es de mundo contrastantes sobre sociedade, meio ambiente, direitos e responsabilidades. A busca por preserva\u00e7\u00e3o ambiental, equidade social e viabilidade econ\u00f4mica, quando munida de pretens\u00f5es genuinamente sustent\u00e1veis, parte dessa constitui\u00e7\u00e3o como um trip\u00e9. T\u00e3o importante quanto as finalidades, s\u00e3o as estrat\u00e9gias que se ocupam de alcan\u00e7\u00e1-las: abandonar a corre\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel, em prol do planejamento. S\u00f3 assim, poderemos vislumbrar o surpreendente e n\u00e3o-linear futuro, que trabalhamos para que seja permeado por cidades e comunidades sustent\u00e1veis. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ACSELRAD, Henri. Justi\u00e7a ambiental e constru\u00e7\u00e3o social do risco. <strong>Desenvolvimento e Meio Ambiente, n.5<\/strong>, Curitiba\/PR, p. 49\u201360, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ACSELRAD, Henri. Vulnerabilidade social, conflitos ambientais e regula\u00e7\u00e3o urbana. O Social em Quest\u00e3o-Ano XVIII, Rio de Janeiro\/RJ, p. 57\u201367, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BORGES, Tom\u00e1s Paix\u00e3o; DA SILVA, Thaiza Siqueira; DOS SANTOS, Ana Paula Lima.&nbsp;<strong>Pol\u00edticas habitacionais aumentam a polariza\u00e7\u00e3o local?<\/strong>. Laborat\u00f3rio de Monitoramento e Avalia\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas e Elei\u00e7\u00f5es &#8211; MAPE, 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DAVISON, Gethin; LEGACY, Crystal; LIU, Edgar; <em>et al<\/em>. <strong>Understanding and addressing community opposition to affordable housing development<\/strong>. Melbourne: Australian Housing and Urban Research Institute (AHURI), 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.ahuri.edu.au\/sites\/default\/files\/migration\/documents\/AHURI_Final_Report_No211_Understanding-and-addressing-community-opposition-to-affordable-housing-development.pdf&gt;.Acesso em: 17 mai.2026. ISBN: 978-1-922075-38-3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Funda\u00e7\u00e3o Rosa Luxemburgo;Express\u00e3o Popular, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HORIZONTES AMAZ\u00d4NICOS: para repensar o Brasil e o mundo. S\u00e3o Paulo: MALHEIRO, Bruno; PORTO-GON\u00c7ALVES, Carlos Walter; MICHELOTTI, Fernando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MINIST\u00c9RIO DO MEIO AMBIENTE E MUDAN\u00c7AS DO CLIMA \u2013 MMA. Hist\u00f3rico ODS. <strong>Portal do MMA<\/strong>, Online, 2022. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.gov.br\/mma\/pt-br\/acesso-a-informacao\/informacoes-ambientais\/historico-ods&gt;. Acesso em: 17 mai. 2026.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a>Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/lifestyle.sustainability-directory.com\/area\/overcoming-nimby-syndrome\/resource\/3\/&gt;. Acesso em: 16 mai. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O portal Sustainability Directory, em uma de suas publica\u00e7\u00f5es[1], sugere que o manejo adequado da chamada s\u00edndrome Not In My Backyard (NIMBY) \u00e9 crucial para o sucesso de iniciativas sustent\u00e1veis, visto que a sustentabilidade deve se balizar pelo equil\u00edbrio entre preserva\u00e7\u00e3o ambiental, equidade social e viabilidade econ\u00f4mica \u2013 como ressalta o Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":1761,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"_breakdance_hide_in_design_set":false,"_breakdance_tags":"","footnotes":""},"categories":[14,25,20,15],"tags":[],"class_list":["post-1758","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arquitetura","category-esg","category-social","category-urbanismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ecominas.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1758","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ecominas.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ecominas.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ecominas.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ecominas.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1758"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ecominas.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1758\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1760,"href":"https:\/\/ecominas.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1758\/revisions\/1760"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ecominas.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ecominas.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1758"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ecominas.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1758"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ecominas.com\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1758"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}