De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2023), o Brasil — com uma população superior a 200 milhões de habitantes — é um dos países que mais geram resíduos urbanos no mundo. No entanto, estima-se que apenas 4% desses resíduos sejam reciclados, o que representa uma perda econômica de aproximadamente R$ 14 bilhões por ano, devido ao não reaproveitamento de materiais recicláveis.
Aterro Sanitário Macaúbas – Sabará/MG Fonte: Câmara Municipal de Belo Horizonte, 2023.
A Ilusão do “Desaparecimento” do Lixo
No cotidiano, é comum termos a sensação de que o lixo simplesmente “desaparece” após ser descartado. Colocamos os resíduos em sacos plásticos, deixamos na lixeira em frente à residência e, em poucas horas, os caminhões de coleta os levam embora. Mas para onde realmente vai esse lixo?
O destino final da maior parte dos resíduos urbanos é o aterro sanitário. Embora sejam estruturas com tecnologia de engenharia aplicada — dotadas de sistemas de drenagem de chorume, captação e queima de gases —, os aterros têm capacidade limitada e estão cada vez mais pressionados pela quantidade crescente de resíduos sólidos, principalmente os que demandam milhares de anos para sua completa decomposição.
Tempo de Degradação dos Resíduos
Confira abaixo o tempo estimado de decomposição de alguns resíduos comuns:
Papel: 3 a 6 meses
Pontas de cigarro: até 5 anos
Plástico: 200 a 600 anos
Alumínio (latas): até 200 anos
Vidro: até 1 milhão de anos
Pneus: tempo indeterminado
Fraldas descartáveis: até 450 anos
Esses dados demonstram que, embora o lixo desapareça da nossa vista, ele permanece no planeta por muito tempo — com sérios impactos ambientais.
A Responsabilidade é de Todos
Como principais geradores de resíduos sólidos, cidadãos, empresas e governos compartilham a responsabilidade de adotar medidas para redução, separação e destinação correta do lixo. Ações como:
Reduzir o consumo desnecessário, especialmente de itens descartáveis;
Separar resíduos recicláveis (papel, plástico, vidro, metais) dos resíduos orgânicos e rejeitos;
Encaminhar materiais recicláveis para cooperativas ou pontos de coleta seletiva;
Evitar o descarte incorreto de resíduos especiais como pilhas, eletrônicos e óleo de cozinha.
Como fazer a separação do lixo
A separação correta do lixo é essencial para que o processo de reaproveitamento e descarte seja eficiente, seguro e ambientalmente sustentável. A seguir, veja como dividir corretamente os resíduos, conforme diretrizes visuais da Ecominas:
Lixo Reciclável
Deve conter materiais que podem ser reaproveitados pela indústria, como:
Papel e papelão: folhas, caixas, jornais, revistas;
Vidros: frascos, copos, garrafas (sem restos de alimento);
Metais: latinhas de alumínio, tampas, panelas sem cabo;
Outros itens: brinquedos quebrados, canos e tubos de PVC, utensílios domésticos, isopor e fios.
Passo 1 – Higienização: Antes de descartar, lave e seque os recicláveis. Isso evita mau cheiro, atrai menos insetos e facilita a triagem nas cooperativas (Ecominas, 2023).
Passo 2 – Destinação: Encaminhe os resíduos para a coleta seletiva pública ou contate cooperativas de reciclagem locais. Em muitos municípios, é possível verificar os pontos de coleta seletiva junto à prefeitura ou empresas privadas credenciadas.
Lixo Comum
São os resíduos que não têm viabilidade de reciclagem e devem ser encaminhados ao aterro sanitário:
Higiênicos: papel higiênico, fraldas descartáveis, absorventes;
Contaminados: embalagens sujas com restos de comida;
Resíduos alimentares: restos de comida cozida ou processada;
Outros: papel toalha, guardanapos usados, lixo de varrição.
Destinação: Este tipo de resíduo deve ser colocado em sacos resistentes e encaminhado à coleta pública convencional.
Dica Ecológica: Compostagem de Resíduos orgânicos crus como:
Cascas de frutas e legumes, folhas, sementes, bagaço, grãos, casca de ovos, saquinhos de chá (sem grampos metálicos)
podem ser compostados em casa. Esse processo biológico transforma resíduos biodegradáveis em adubo natural, reduzindo significativamente a quantidade de lixo enviado aos aterros (Ecominas, 2023).
💡 Composteiras domésticas podem ser adquiridas ou feitas com baldes simples, desde que garantam oxigenação e drenagem do líquido gerado (chorume).
Conclusão
A geração excessiva de lixo urbano no Brasil é um problema estrutural que exige conscientização, políticas públicas eficazes e mudanças de hábito por parte da população. Diminuir o volume de resíduos destinados aos aterros e valorizar a reciclagem são caminhos essenciais para uma sociedade mais sustentável.
Na Ecominas, acreditamos que pequenas atitudes geram grandes transformações. Incentivamos o consumo consciente e o descarte responsável como parte de um futuro mais verde para todos.